Publicado em
13/10/2009
Mais:
A Grande Geringonça
©2008 Ernesto Dias Jr.
Cena 1
Faltam cinco páginas para o final.
O bandido, um certo Jacques Bouchet, decide matar os mocinhos:
-- Why are we keeping the hostages alive anyway? We’re gonna have to shoot them sooner or later. All them, except the professor’s daughter, I mean.
Você vira a página e a história continua, emocionante:
“The battery is low. Please recharge as soon as possible. Sorry for the inconvenience”.
Bom demais.
Cena 2
Finalmente a fórmula que estava procurando! Entusiasmado, você estica o braço a apanha um pedaço de papel e um lápis para exercitá-la. A manga da blusa enrosca na borda do livro e ele vai ao chão. Você o apanha. Todo o lado direito da página apagou-se – e com ela a metade da equação.
Cena 3
Manhã no Ibirapuera. Sento-me à sombra de uma árvore antecipando o prazer da leitura. Nem bem viro a primeira página quando o livro desaparece das minhas mãos. Passo o resto da manhã na delegacia fazendo o boletim de ocorrência sem o qual o seguro não me reembolsa o prejuízo. Se é que o farão. É o terceiro livro que um trombadinha me rouba este ano.
Cena 4
Largo meu jornal na espreguiçadeira e vou dar um mergulho na piscina. O jornaleiro garantiu que a tinta é à prova de respingos, então não me preocupo. Volto meia hora depois e o abro para ler a seção de esportes. Estão em branco. Aliás, todas as páginas estão em branco. Reclamo com o jornaleiro que me diz que o tal jornal não funciona acima de 35 graus Celsius.
Cena 5
Estou viajando e decido comprar um livro no destino. Meu livreiro habitual me garantiu que há uma filial na cidade, numa tal de Rua 3G. Chegando descubro que não existe nenhuma rua com esse nome por lá.
Cena 6
Compro um livro novo. Estou na metade quando escuto no rádio que o livreiro que me vendeu -- um sujeito de nome Bezos -- havia roubado os direitos autorais do livro e que eles seriam todos recolhidos. Ao chegar em casa descubro que os capangas do Senhor Bezos haviam estado lá na minha ausência e, sem ao menos me avisar (e sem um mandado) haviam vasculhado minha biblioteca e subtraído o tal livro. Apenas para livrar o rabo do chefe de um processo.
***
Esses são os argumentos mais comuns contra livros eletrônicos. Todos válidos. E eu sou um retrógrado que, por certo, jamais se adaptará aos tais e-books, certo?
Errado.
Não tenho nada contra e-books. Nem acho que livros de papel vão desaparecer: eles são mais práticos, seguros e simples de usar. Além de seu uso ser um paradigma difícil de quebrar. O mais provável é que de alguma forma convivam os dois no futuro.
Mas vou esperar mais um pouco antes de entrar na fila para comprar um Kindle.
Não por causa da tecnologia (antiquada), da falta de informação por parte do fabricante (o manual não informa o grau de estanqueidade, resistência a impactos e limites de umidade) nem do preço (salgado, embora não proibitivo).
Para mim o maior impedimento é a falta de um padrão para os arquivos. Um Kindle só funciona com arquivos da Amazon. E a Amazon não licenciou o seu formato para ninguém. E eu não pretendo virar um frequês cativo do Sr. Jeff Bezos. Nem de uma livraria que também vende porcas e parafusos.
Puro preconceito meu.
António Tapadinhas
em 13/10/2009
Anne
em 13/10/2009
Estou aqui pensando... Não tenho uma opinião formada ainda, até por que nunca vi uma geringonça dessas ao vivo.
E-books eu gosto e tenho vários em pastas no meu pc. Já aprendi a ler na tela numa boa e é definitivamente mais barato pra quem gosta de ler muito.
Mas me solta nas Culturas da vida e fico perigosa! Adoro um livro, ou 2 ou 3 sentados na minha mesinha de cabeceira...
Beijão
Anne
Érica
em 13/10/2009
Jorge Lemos
em 13/10/2009
Acima três valiosas posturas. Ainda prefiro o virar a página sem preconceito algum. Estou permeando o caminho da física
através de Walter Esaacson e o relato da vida de Eisnteim - Sua vida, seu Universo.
Pô: vê se não foge.
Vamos em frente. O almoço aguarda.
Lemos
Bruno Dias
em 13/10/2009
Ernesto Dias Jr.
em 14/10/2009
Três imagens me vem à mente:
1) O bombeiro Guy Montag liga, furiosamente, um Kindle atrás do outro em uma tomada de 220 Volts para queimá-los. Lá fora, um container espera para ser carregado com destino à Malasia, onde o material será descartado de forma ambientalmentee correta.
2) Na floresta, Granger observa as pessoas ditando os livros memorizados para seus iPods, onde serão preservados no formato MP3.
3) No banheiro do quartel, o Capitão Beatty espera pacientemente pelo download de um livro de Betty Milan antes de limpar a bunda com seu e-book revestido de pelúcia.
Saudações transatlânticas.
Ernesto Dias Jr.
em 14/10/2009
Ernesto Dias Jr.
em 14/10/2009
Não sejas rabujenta. Com um Kindle podes ter 1.200 livros sentados à cabeçeira da tua cama. Enquanto esperas a bateria carregar durante duas horas.
Ernesto Dias Jr.
em 14/10/2009
Sempre poderás pendurar os memory sticks no quadro. Mas cuidado para não perfurar o chip que há lá dentro.
Ernesto Dias Jr.
em 14/10/2009
Bem se vê porquê esse cérebro não fica velho junto contigo...
Fala pra Estefânia ir pondo as panelas no fogo. Chegarei.
Ernesto Dias Jr.
em 14/10/2009
Tens razão. O "capista" da Amazon é um bosta.
Acho também que tua idéia de uma mesma cor para a tela e para a caixa faria do Kindle mais "livro".
miro
em 14/10/2009
mirinho
em 14/10/2009
Lú.
em 14/10/2009
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Lú.
Ernesto Dias Jr.
em 15/10/2009
Irás, mas em minha quota ninguém tasca!
Ernesto Dias Jr.
em 15/10/2009


Flavio Ferrari
em 15/10/2009
Ernesto Dias Jr.
em 16/10/2009
Tô nessa.
Aliás, uma história de Kindle pra circular no Kindle...
Edson - MG
em 14/12/2009
Diga alguma coisa








Eu, sempre vou preferir livros de papel: alguns, num aperto, sempre dão para limpar a bunda...
Veio para ficar?
Abraço,
António