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Publicado em
12/5/2010

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Mutantes

Serginho ataca outra vez

©2008 Ernesto Dias Jr.


Não quis ouvir antes. Finalmente me chegou pela mão do Serginho o último álbum dos Mutantes (Haih or Amortecedor), gravado e mixado no estúdio da Granja Vianna (que vocês conhecem de outras postagens), e depois masterizado e publicado nos Estados Unidos. Não tem ainda no Brasil, mas vocês podem comprar pela Amazon.

Em algum momento chegará aqui. Talvez depois dos locais perceberem o sucesso que está fazendo lá fora, Europa incluída, cravando cinco estrelas nos billboards da vida.

É o primeiro disco de estúdio dos Mutantes em mais de trinta anos, com treze faixas inéditas.

A crítica estrangeira elogiou, e muito (é só procurar no Google e no YouTube). Para os brasileiros, entretanto, os novos Mutantes são apenas um pastiche da velha formação Sergio-Arnaldo-Rita. Morderão a língua.

Com um monte de composições de Sergio Dias em parceria com Tom Zé o resultado é um desbunde. Lírico, irreverente, poético, debochado e delicioso. Tem de rock a xaxado, de bolero a mambo.

O som e os arranjos são uma coisa à parte. Brasileiros da nova geração, crescidos com o tal rock-and-roll brasiliense precisam ouvir para entender por que foi em São Paulo que o rock tupiniquim nasceu. Faz, com raríssimas exceções capitalinas, o som planaltino parecer chinfrim.

A formação atual é quase a mesma do Barbican, gravado ao vivo em Londres e cujo show alguns de vocês viram comigo aqui em São Paulo. Sem Zélia e sem Arnaldo, a novidade é a presença de Bia Mendes, uma solução caseira – depois de muitas tentativas – que deu certo com sua voz e interpretação peculiares. Simone Soul, competentíssima como sempre, atuou na percurssão e também como sound designer.

O demais são velhos componentes do grupo: Dinho Leme (da formação original), Henrique Peters, Fabio Recco, Vinicius Junqueira e Vitor Trida. Este último, menino versatilíssimo, ainda assina uma das faixas sozinho e uma outra em parceria com Sérgio.

Do álbum, que começa com um discurso de Putin ao exército russo e fecha com um pot-pourri de hinos nacionais, recomendo particularmente Querida querida (um desejo por vitrina/uma moça por esquina/hoje eu te pego menina/ao me sentar na latrina), Teclar (Quando a saudade chegasse eu cortava esse esse/Em cada pedaço um anzol/ Só precisava de um guarda sol/ Eternamente contigo num branco lençol) e Bagdad Blues (Ali, ala, oh! Bagdad/as mães, as noivas de lá/crianças a cantar/com as pombas elas mamam/no pavio de nossas bombas/ali baba, ali baba ta lá).

Depois de uma turnê costa-a-costa nos EUA o show vai à Europa no segundo semestre. Depois, quem sabe... por aqui?

O trailer da produtora com uma ínfima palhinha do som (mau escolhida, por sinal), está neste link.


Anne
em 13/5/2010

Delícia! Me lembro bem da tarde gostosa que passamos na casa do Sergio Dias...

Beijos
Anne



Ava
em 24/5/2010

Ernesto, só sei que me deu uma saudade!

Vontade de ouvir...

Vc faz generosos elogios, logo me deixou curiosísima...rs


beijos



Ava
em 24/5/2010

correção:

curiosíssima.




Walmir Lima
em 26/5/2010

Este é um disco pra se ouvir muitas vezes!

Cada música é um "Tratado da Arte Musical" cuja riqueza se percebe a cada ouvir, atentamente, os detalhes.

O meu (autografado) ninguém toca!

Walmir



Carolina Dias
em 26/5/2010

Curiosa para ouvir. Detesto qdo tenho que relembrar as pessoas que mutantes era aquele grupo "Sergio-Arnaldo-Rita". Vou deixar minha querida profissao de lado, e não comentar a capa, ok? rs



Ernesto Dias Jr.
em 26/5/2010

Anne:
Tiveste um concerto só para ti - enquanto eu fazia o conserto...

Ava:
Procura na net... e baixa...

Walmir:
Não toco, não toco. Não toco no toco (essa nova ortografia é uma m...)

Carol:
Te levo o meu exemplar. Quanto à capa, tens razão. Parece um exemplo do "Photoshop: dos and dont's". Nos dont's.






 




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