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Publicado em
27/2/2007

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Pecado e capital
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Pecado e capital

©2008 Ernesto Dias Jr.


A segunda parte desta estória está postada no Arguta Café — não vá ler fora de ordem... Aí está, portanto, a tramóia gestada pelos autores, que se lança antes do previsto graças à insônia do Flávio. Nenhum roteiro foi combinado. É uma promiscuidade literária, simplesmente. E também não esperem o ritmo alucinante da largada no decorrer da brincadeira. Viajens interpor-se-ão...

Parte 3 - O sexo dos anjos

— Eu disse para você desparafusar as asas e ir lá pessoalmente. Mas não, você tinha que exibir suas habilidades, não é? Escarafunchar nos livros do meu pai e ficar recitando aquelas bobagens de noite. Bem feito!

Gabriel estava sentado à mesa da cozinha enquanto Maria Celeste fazia o jantar — e o discurso. Cada sílaba tônica era pontuada por um bater de tampa de panela. Não haveria sexo entre os anjos aquela noite.

— Eu até queria, mas o Leonardo...

A primeira anja levantou as asas, revirou os olhos e puxou um falsete:

— Le-o-nardo! Le-o-nardo! Ta mangando de mim, tá, docinho?

Aproximou o rosto de Gabriel. As asas se fecharam um pouco sobre os ombros do marido, guiando o odor de suas penas para as narinas do arcanjo. Ah! Aquele cheiro... mas não esta noite.

— O velho Da Vinci está se lixando para o seu problema, meu amor. E é mal conselheiro. A responsabilidade é sua! — espigou de novo o corpo e continuou, agora numa oitava mais baixa e conciliadora — Leonardo só se preocupa com sua plantaçãozinha secreta no quintal, e em tirar a roupa daquela putinha de sorriso esquisito. Você não. É um executivo, tem uma reputação a zelar.

Gabriel inclinou-se a dar razão à mulher. Afinal, Maria Celeste estava sempre certa. O Homem, pessoalmente, incumbira-o daquela missão. Ele não tinha nada que dividir com outrem o fardo de sua responsabilidade. Mas o mal estava feito.

— Olha, você há que me dar algum crédito. O negócio das penas deu certo. Eu me lembro quando seu pai usava o mesmo truque no travesseiro daquele poeta, o Manuel Maria Barbosa du não-sei-o-quê.. Ele soprava sonetos lindos nos sonhos do sujeito, que acabava publicando. Ele me contou.

Os olhos de Maria Celeste abrandaram-se. Não de ternura pela menção ao pai, que era um sem-vergonha. Mas pela ingenuidade do marido, sempre tão crédulo e puro. Por certo Gabriel nunca lera as tais poesias. E também nunca soubera que por causa delas o velho sátiro tinha sido banido do Paraíso para vagar no Purgatório por trinta eons, sem direito a sursis. O Homem fora piedoso ao permitir que se alastrasse a mentira de que o safado reencarnara.

Sentou-se no colo do marido.

— Eu sei, meu bem — disse ela, sentindo os olhos dele ficarem molinhos à visão do seu decote — as penas funcionaram bem, admito. Mas aquele negócio de PowerPoint foi um erro, não foi? Você podia ter feito uma coisa mais simples, mais... humana.

— Mas o Leonardo disse — arrependeu-se logo de ter trazido o amigo à conversa de novo.

— Eu sei, você já me contou, querido. Você tinha que colocar alguns efeitos especiais para que o Jailton não confundisse com uns tais de junk-mails que ele recebe todo santo dia.

— Pois é. Daí a sensação do pecado, a angústia da culpa, o alívio da remissão, e as ilustrações do Inferno. Que aliás, me custaram os olhos da cara em direitos autorais. Eu tinha que ser convincente...

—- ... e quase acabou mandando o pobre rapaz para o hospício. Agora você vai ter que mudar a abordagem, benzinho. Olha, eu posso te dar umas idéias depois, antes de a gente dormir, tá bom?

Gabriel sentiu-se um arcanjo de sorte. O que seria dele sem Maria Celeste? E ele queria tanto colocar uma pena no corpo dela esta noite...

A anja levantou-se e olhou para ele, correndo a língua pelos lábios devagar. Aquela boca carnuda, de petulante lábio superior, entreaberta e deixando ver a fileira de dentes perfeitos eram a perdição do Arcanjo Gabriel.

Ela deu um papirote na asa do marido:

— Vai tomar banho, vai? Enquanto isso eu acabo aqui...



Imagem: Angel Eating Cherries, de Anita Klein
www.birchamgallery.co.uk

Anônimo
em 27/2/2007

(3)-...te prazeiroso.Adoreeeeeeei!
Lú.



Anônimo
em 27/2/2007

Ernesto...nem Bocage faria tão bem...OBRIGADA!
Lu.



Udi
em 27/2/2007

Bárbaro! Sempre imaginei que anjos fossem assim mesmo.
Estou curiosa com o powerpoint, decerto não será como aqueles caem em nossas caixas postais dizendo que "um anjo cuida de você" e promentendo o Céu se você repassar adiante a mensagem.



Anne
em 27/2/2007

God!!!!!!!!!! Vocês os dois estão atrapalhando meu trabalho... :-) Que delírio linnnnnnnnnnnndo... continuem...



Flavio Ferrari
em 28/2/2007

Lú ... to meio lerdinho ... adorei seu comentário trítico ...



udi
em 28/2/2007

passei mais uma vez só prá ver se havia alguma novidade... (no pressure!)



Adriano
em 28/2/2007

Será q finalmente eu verei uma história sua com final?????

:P



Anônimo
em 3/3/2007

Essa anjinha tá adorando saborear essa ameixa...
Lú.



Tina
em 21/1/2010

edit




 




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