Comemorar o quê?
©2008 Ernesto Dias Jr.
Deixar de fumar me deixa de mau humor e eu preciso descontar em alguém. De preferência alvos impessoais, como países ou planetas. Depois do arrogante Estado Espanhol foi a vez da França.
Os caras estão comemorando a queda da Bastilha. Até aí nada demais: a gente também faz feriado para comemorar equívocos históricos no Brasil.
Mas ver político e intelectual discorrendo sobre a importância da revolução francesa para o progresso da humanidade me dá vontade de vomitar.
Mesmo para a França, o melhor resquício da revolução foi a desculpa para ter uma data nacional que não fosse Le Magnifique Jour du Sacy Pereré ou La Patriotique Semaine des Pommes Frites.
Um grupo de espertinhos ávidos por poder invadiram o quartel, meteram a mão nas espingardas, cortaram as cabeças da realeza e deitaram-se nas banheiras perfumadas dos palácios enquanto o povão montava guarda lá fora.
Gostaram tanto da brincadeira que não pararam: meteram na guilhotina quem lhes desse na cabeça (Lavoisier, que sozinho valia mais que todos eles, incluído). Fizeram um grande acordão de alternância de poder com os banqueiros e ricaços remanescentes.
E o povo sifundo do lado de fora da festa, sem grana e sem glória (Francês adora uma gloriazinha nem que seja de escrivaninha, como DeGaulle).
Daí chegou um baixinho enfezado chamado Napoleão, mandou todo mundo praquele lugar, ditadura por ditadura fundou a sua própria e ainda se intitulou Imperador (que rei era pouco) só pra gozar com a cara da revolução. Que aliás acabou ali mesmo.
Ah!, esqueci de dizer: mas que a República tinha bons peitinhos, lá isso tinha.
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| Mirinho | Anne | Walmir Lima | Jorge Lemos | Jorge Lemos | zottinogv@gmail.com | Anne | Jorge Lemos | Anne |
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11/7/2010
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Qualquer outro
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21/6/2010
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Oportunidade de negócio
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Fui vítima de discriminação no passado. Quando bebê me chamavam de cebola sem-sem – aquela nacional, descorada, contrastando com a argentina bronzeada e bela. No grupo escolar de São Vicente era tratado por branquelo e branco azedo. Melhorou um pouco no ginásio. As meninas me apelidaram de Galak – branco e gostoso.
Agora tudo voltou. Os lulas instituíram o apartheid no Brasil, só que ao contrário, o que o torna palatável para a zelite intelectual e politicamente escorreita.
Mas, seguindo a tendência atual de ver oportunidade em tudo, torço agora para que a copa do mundo de 2014 não fuja de São Paulo. Vou montar uma agencia de turismo para mostrar aos gringos estupefatos que, a exemplo da África do Sul, o estádio também fica no bairro símbolo do apartheid verde-amarelo.
O Morumbi é o nosso Soweto.
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| Mirinho fernandes | Anne | Jorge Lemos | Jorge Lemos |
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3/6/2010
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Vai trabalhar, vagabundo!
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Dentre as muitas leis que tramitam saltitando de esconso em esconso escaninho do grande armário federal há uma que, certamente, virá à luz um dia, e que está sendo chamada de “a lei da palmada”.
Simply put (como diria Michelle Obama), o negócio é o seguinte: bater em criança é feio e o Estado vai punir. Até aí tudo bem. Acontece que na impossibilidade de se medir a força aplicada pela mão pátria às carnes do infante nalguma unidade apropriada como Kgf, Erg ou G, fica proibida toda e qualquer palmada, dita moderada ou imoderada. Mesmo que no equivocado intuito de educar.
As penas vão de uma reprimenda pela assistente social da esquina até internação em clínica psiquiátrica com direito a choque elétrico.
Não vou entrar no mérito da questão. Primeiro porque não tenho mais filho em idade de levar palmada. Segundo porque – sem saber exatamente a razão – não a usei em nenhum dos cinco. Ou quase. Dei um tapa na perna do Bruno uma vez que deixou a marca dos dedos por mais ou menos vinte e dois minutos – estimo algo assim como 0,625 Kgf. Não lembro por que, ele também não, mas o trauma foi extenso: mais tarde ele resolveria estudar cinema.
Mas voltando ao tema:
Resolvi ler o texto a perambular pelo Senado. Pretende-se incluir no estatuto do pentelho e do aborrecente algumas linhas a mais e, no próprio Código Civil, o seguinte parágrafo:
"Art. 1634 – Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores:
VII. Exigir, sem o uso de força física, moderada ou imoderada, que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição."
Obediência e respeito são bons e eu gosto. Mas ainda vou perguntar à dona Deputada Maria do Rosário (PT-RS) que estória é essa de “serviços”. Quer dizer que é dever exigir dos pimpolhos que nos prestem serviços?
Impúberes do Brasil, erguei-vos. Estão querendo obrigar que os velhos, por força de lei, exijam de vocês a arrumação da cama, a lavagem da louça ou a retirada das pulgas do totó.
Há perigo na esquina.
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| Anne | Ernesto Dias Jr. |
Publicado em
31/5/2010
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Drops gastronômicos
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Cozinhar é fácil quando se é homem. Faz-se por esporte, e para impressionar amigos e potenciais presas. E também dispõe-se de uma cozinha inoxidável como uma sala cirúrgica do Sírio-Libanês, utensílios importados da Dinamarca e um fogão que é um porsche. Além, é claro, de tempo e dinheiro para garimpar pózinhos e raízes exóticas pelos Santas Luzias da vida.
Assim é moleza.
Quero ver o aprendiz de chef preparar, como acabo de fazer, um miojo ao alho e óleo para se comer rezando de joelhos. Feito na frigideira mesmo.
-oOo-
O distinto público francês começa a desconfiar da lengalenga a verter do consório Airbus/Air France/Palácio de Eliseu sobre o acidente do ano passado. O birô investigador (BEA) revela coisinha por coisinha a conta-gotas, deixando Asterix com a certeza de que está fazendo jogo de gato e rato com as informações (incompletas).
Agora a Airbus entrou com um pedido de patente de dispositivo que pode evitar a “destruição catastrófica” de uma aeronave. A saber: um novo tubo de pitot.
Quanto a mim, continuo afirmando: o acidente da TAM em Congonhas foi causado por engenharia porca da Airbus. Talvez um dia o futuro me dê razão.
-oOo-
O Projeto Ficha Limpa parecia ir muito bem até que o mineiro naturalizado carioca Francisco Dornelles meteu a caneta e livrou a cara de todo mundo, Maluf incluído. Imediatamente me veio uma frase de Drummond que roubei e mandei para o Estadão, que publicou: Tinha um Dornelles no meio do caminho, no meio do caminho tinha um Dornelles...
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| Anne |
Publicado em
26/5/2010
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