Publicado em
5/1/2012
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Amém.
©2012 Ernesto Dias Jr.
Vou logo avisando: não sou ateu nem desateu. Aos sessenta ainda não me decidi. Não tenho certeza da existência de Deus. Não tenho certeza de sua inexistência. Ao contrário dos crentes (em Deus), não me convencem os argumentos usados como “prova” de sua existência. Ao contrário dos crentes (na inexistência de Deus), não acredito ser assim tão simples negar a existência de Deus baseado em “evidências” científicas. E também não me venham encher o saco porquê escrevo Deus com letra maiúscula. Aprendi, no tempo que escolas funcionavam, que nomes próprios se escrevem assim, mesmo na ficção.
Dito isso, vamos ao que interessa.
O que é ser ateu? É (ou deveria ser) a postura legítima e pessoal adotada por um pensante que acredita não apenas que o mundo não precisa de deus nenhum para funcionar como, de fato, não existe mesmo nenhum deus, quanto mais Deus.
Ao afirmar que Deus não existe, o ateu está (ou deveria estar) preparado para argumentar serena e logicamente na sustentação de seu postulado. Apresentando-se (como de fato se apresentam) como paladinos da razão e da supremacia da ciência sobre o pensamento mágico deveriam saber que o método científico não contempla a prova da negação (não confundir com a prova pela negação).
Depois da minissaia, do marxismo sem a leitura de Marx e do carro coreano de três portas o ateísmo está definitivamente na moda. Amigos meus pelos quais tenho enorme respeito aderiram ao movimento. Assim como se saíssem do armário. A Internet pulula de sites de grupos que proclamam, de peito aberto, o orgulho ateu.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Até espero que meus amigos (e dos meus filhos os que são ateus) contribuam para a defesa inteligente do ateísmo.
Então porque estou tão irritado com grupos como ATEA (atea.org.br), Bar do Ateu (bardoateu.blogspot.com), ciclistassemdeus (canal no youtube) e mais uma dúzia de sites que percorri na rede? Porquê nenhuma dessas pessoas está preocupada em disseminar idéias atéias, mas em atacar, ofender, vociferar contra, desmoralizar religiões. Parecem não entender (o que só pode ser má fé ou desonestidade intelectual) que atacar uma religião não tem nenhuma relação com a discussão da existência ou não de deus, Deus ou deuses.
Compreendo que se um ateu admitir que a idéia de Deus prescinde de qualquer religiosidade ele terá que levar a discussão, inevitavelmente, para um novo patamar. Sério. Inteligente. E a julgar pelo que li nesses sites nossos ateus não estão lá muito preparados para isso.
Os “ateus” que encontrei nesses lugares desmerecem a própria idéia do ateísmo ao lançarem mão do achincalhe, do humor grosseiro e, o que é mais grave, de falácias tão flagrantes que fariam corar qualquer aprendiz de filósofo.
A arrogância, então, é de matar de raiva. Filho de ateu é melhor educado (Meus pais eram religiosos embora eu não o seja, babaca. Vai encarar?). O ateu valoriza a ciência (Deixa de ser burro. Há tantos contribuintes ateus quanto não ateus entre os grandes na história da ciência). Acreditar no inferno é bobagem (É claro que é, bobão. Até quem acredita em Deus sabe disso). Apresentam-se como “livres” leves e soltos, como se livrar-se da idéia de que Deus existe fosse o único quesito para a plena existência. E as platitudes se repetem ad nauseam (o xingamento é proposital: só para manter a paridade de nível...).
Citam Carl Sagan – esse sim um ateu de verdade – sem terem aprendido nada com ele. Repetem a suprema bobagem, tão cara aos nanicos intelectuais, de que Darwin acabou com a idéia de Deus. O que é uma ofensa à inteligência e ao próprio cientista. Tem por ídolo Richard Dawkins como o grande desconstrutor de Deus no século 20. Tolice. Dawkins desconstruiu a Bíblia, o que não tem, afinal, mérito nenhum por falta de dificuldade.
Discutir o ateísmo é fundamental para ateus, não ateus e peessedebistas indecisos como eu. É um exercício de afirmação humana. Mas pelo que se está vendo a única coisa que os “ateus” vão conseguir é elevar o tom de uma discussão que tem tido como paradigma a emoção futebolístico-partidária.
Essa discussão tem por raiz temores profundos e motivações ancestrais. Entender o mecanismo do conceito de Deus como invenção humana é fascinante. Mais importante ainda é entender a racionalização das idéias que levam uma pessoa a ser atéia. Quem sabe eu formasse, afinal, opinião? Mas para isso é preciso, primeiro, encontrar um ateu. Não um insuficiente qualquer desprovido de inteligência e coragem para uma boa conversa e que, por isso mesmo, limita-se a xingar o padre.
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| Boris Pauzner |
Publicado em
15/5/2011
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Reumatismo
©2011 Ernesto Dias Jr.
um fone dorvido, nêga
eu vo ti comprá
pra ti cuxixá, nêga
as coisa di cá
os dedo do veio, nêga
num dá mais pra tecrá
i pra te escutá, nêga
ti microfoná
quius óio do veio, nêga
parô dinxergá
(então vê se acorda
aperta o reset
e compra essa m...
do tal headset!)
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| Lú. | Anne | Ava | Flavio Ferrari | Jorge Lemos | Suzana | Zuleica-poesia |
Publicado em
14/5/2011
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Mulher mulher
©2011 Ernesto Dias Jr.
Escrevo isto propositalmente ao som de Led Zeppelin: Stairway to Heaven. Nada mais apropriado para se falar de um velho amor.
-oOo-
Estava eu no Villa quando cruzo com a Sueli. Beijinho, beijinho, reparo no livro que tem nas mãos. “Ada”, diz o título bem grande. Como há somente uma Ada no mundo capaz de chamar a minha atenção, pergunto. É mesmo Ada Rogato, ídolo minha desde a infância e brasileira desconhecida dos brasileiros. A autora da biografia é amiga de Sueli: Lucita Briza, que estava, enquanto falávamos, na Cultura lançando a obra. Despeço-me, mando um abraço pro Vicente e corro para lá. Ganho uma belíssima dedicatória e um presente: a história de uma mulher que admirei a vida inteira.
-oOo-
Ada Rogato não foi uma heroína qualquer. Mulher ao mesmo tempo comuníssima e extraordinária. Bordava, costurava, cozinhava, cuidava da mãe e trabalhava fora. Sonhava, perseguia e realizava seu sonho de voar. E como voou! Primeira mulher a cruzar, sozinha, a cordilheira dos Andes com um Paulistinha CAP-4 (o mesmo teco-teco em que fiz o primeiro vôo da minha vida e que, se o vento soprasse um pouco mais brabo, ninguém tirava do chão no Aeroclube de Santos). Voou sozinha da Terra do Fogo ao Alasca. Saltou de paraquedas quando só homens faziam isso. Pilotou planadores experimentais. Foi a primeira pessoa a aspergir inseticida em uma plantação brasileira usando um avião adaptado – e quase morreu na empreitada.
O livro de Lucita é mais que uma biografia. É uma aula de história do Brasil. E uma narrativa emocionante, envolvente. O livro é arrebatador não somente pela competência da autora, mas porque Ada Rogato era assim mesmo: uma mulher arrebatadora.
-oOo-
Ouvi o nome de Ada primeiro pela boca de minha avó e depois de minha mãe. Falavam dela com orgulho e admiração. Vi Ada pessoalmente em uma churrascada, depois da festa da semana da asa em Santos, onde os astros eram ela (saltando de paraquedas!) e Alberto Bertelli – outro ás e ídolo. Ada, já sem o macacão de vôo e vestida como uma mortal me ensinou que espíritos indômitos podem habitar invólucros perfeitamente comuns. Só os olhos, tal como no livro, tal como nas fotos, traia a deusa.
-oOo-
Muito do legado e da história de Ada Rogato – assim como de Santos-Dumont e da aviação brasileira - foi enxovalhado e conspurcado por um homem chamado Ruy Ohtake. Era o secretário da cultura (!) da cidade de São Paulo no governo do maléfico e malúfico Celso Pitta quando o Museu de Aeronáutica foi despejado do Ibirapuera para que um banqueiro pudesse ocupar o espaço. O banqueiro (soube-se depois) era um ladrão e como tal responde à justiça até hoje.
-oOo-
Ada – mulher, pioneira, aviadora. De Lucita Briza, C&R Editorial, 307 páginas. R$68 na Cultura. Nenhuma mulher deveria deixar de ler. Seria um refrigério saber que existiram outros modelos de brasileiras de valor que não guerrilheiras de fancaria.
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| Anne | Jorge Lemos | Jorge Lemos | Sylvio de Alencar |
Publicado em
9/5/2011
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In vino...
©2011 Ernesto Dias Jr.
(Soneto XVIII)
Quem sabe amo e por te amar eu sintao balançar do chão numa tontura.Ou nada disso, foi do vinho a tintaa me fazer pensar essa loucura.
Em cada vez que tocas teus cabelosdança na minha boca uma vontade do que guardado tenho a sete selosde confessar do que tenho saudade
Mas foi do vinho a culpa embriagadapor te querer e crer que te podia,de só dormir passada a madrugada.
Porque então, responde a um pedinte,sem ti nem vinho, em plena luz do dia a amar-te sigo na manhã seguinte?
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| Lú. | Anne | António Tapadinhas | luisa | Ernesto Dias Jr. | Anne |
Publicado em
6/11/2010
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Amigos da onça
©2010 Ernesto Dias Jr.
Há duas situações nas quais as pessoas nunca acreditam em mim.
A primeira é quando peço, em qualquer bar, boteco, cafeteria, cofeeshop ou outro muquifo qualquer o meu café com leite gelado. O garçon, garçonete, atendente, barista ou dono de botequim teima sempre em colocar leite morno. Incapazes de apreciar eles mesmos um bom café com leite gelado, não acreditam que o freguês queira dizer “o leite que está dentro da geladeira, imbecil”.
O segundo caso é quando peço minha carne mal passada. As pessoas acham aquilo meio nojento e acabam me entregando um bife rosadinho ao primeiro corte que, depois, toma aquela cor de sola de sapato sujo. E eu tenho que pagar por uma carne absolutamente sem graça.
Adiciono, agora, mais um descrédito crônico. Digo, defendo, aviso, advirto que filmes que não tenham um final feliz não fazem minha cabeça. Não adianta serem bem feitos, prenderem a atenção, mostrarem bundas formosíssimas, exibirem desempenhos geniais de atores laureados, etc., etc. Cinema para mim é diversão. Se eu quiser pensar minha biblioteca está cheia de filosofia, física, psicologia e pseudopsicologia.
Pois acabo de assistir o recomendadíssimo Ilha do Medo. Esse aí mesmo com o DiCaprio.
Grudei na tela por hora e meia até descobrir, decepcionado, que tem o mais bosta dos finais: o mocinho se fode no fim.
Mui amigos.
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| Walmir Lima | Ernesto Dias Jr. | Ernesto Dias Jr. | Ernesto Dias Jr. | Ernesto Dias Jr. | Walmir Lima | Daniel | Anne | Jorge Lemoz | Jorge Lemoz | Flavio Ferrari | Anne |
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1/11/2010
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©2008 Ernesto Dias Jr.
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| Daniel | Danilo Dias | roberto | Anne | Jorge Lemos | Jorge Lemos | Jorge Lemos |
Comemorar o quê?
©2008 Ernesto Dias Jr.
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| Mirinho | Anne | Walmir Lima | Jorge Lemos | Jorge Lemos | zottinogv@gmail.com | Anne | Jorge Lemos | Anne | érica |
Publicado em
11/7/2010
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©2008 Ernesto Dias Jr.
Publicado em
21/6/2010
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©2008 Ernesto Dias Jr.
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| Mirinho fernandes | Anne | Jorge Lemos | Jorge Lemos |
Publicado em
3/6/2010
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©2008 Ernesto Dias Jr.
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Publicado em
31/5/2010
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©2008 Ernesto Dias Jr.
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| Anne | research paper | Cat |
Publicado em
26/5/2010
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©2008 Ernesto Dias Jr.
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| Anne | Jorge Lemos | Miro Fernandes | Excentric Herself | Ernesto Dias Jr. |
Publicado em
12/5/2010
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Serginho ataca outra vez
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| Anne | Ava | Ava | Walmir Lima | Carolina Dias | Ernesto Dias Jr. | sergiodias | sergiodias |
Publicado em
26/4/2010
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Publicado em
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